Especialista orienta famílias a aproveitarem o recesso escolar com equilíbrio, sem abrir mão das terapias e da organização emocional das crianças neurodivergentes
Com a chegada das férias escolares de julho, muitas famílias reorganizam a rotina em casa para atender ao tempo livre das crianças. No caso das famílias atípicas, esse período exige atenção redobrada para que o recesso não se torne um gatilho de desregulação emocional e impactos no desenvolvimento.
A psicóloga e neuropsicóloga, Juliana Coutinho, que atende no Empresarial José Carvalheira, na Tamarineira, explica que, para crianças neurodivergentes, como autistas ou com TDAH, a previsibilidade e a constância da rotina são elementos estruturantes. “As férias não precisam ser uma ruptura. Elas podem ser uma pausa planejada, com adaptações que respeitem os horários de sono, alimentação, terapias e momentos de lazer da criança”, orienta.
De acordo com Juliana, interromper abruptamente o fluxo das atividades habituais pode gerar sobrecargas sensoriais, quadros de irritabilidade e até regressos em habilidades já conquistadas. Por isso, o ideal é manter as terapias previstas no plano de intervenção, adaptando os horários para incluir passeios e atividades recreativas. “É possível fazer pequenos ajustes, mas sem perder o fio condutor do cuidado com o desenvolvimento da criança”, afirma.
Para tornar o período de recesso mais tranquilo, Juliana sugere algumas estratégias simples:
• Manter uma rotina visual: criar um calendário com imagens ou símbolos das atividades do dia ajuda a criança a entender o que vai acontecer e reduz a ansiedade;
• Preservar horários fixos: manter padrões de sono, alimentação e terapias, mesmo com flexibilidade nos horários, evita desorganização sensorial e emocional;
• Inserir atividades estruturadas: mesmo em casa, propor tarefas com começo, meio e fim (como jogos, culinária ou artes) ajuda a manter o foco e a organização mental;
• Incluir a criança nas escolhas: permitir que ela participe de decisões simples sobre os passeios ou brincadeiras do dia favorece a autonomia e o engajamento;
• Alternar momentos de estímulo e pausa: intercalar atividades mais intensas com períodos de descanso previne crises de sobrecarga;
• Comunicar antecipadamente mudanças: avisar com antecedência sobre passeios, visitas ou alterações na rotina contribui para a segurança emocional da criança.
Juliana Coutinho também reforça que a sobrecarga dos adultos durante as férias é comum, e por isso o planejamento coletivo é essencial. “O bem-estar familiar é parte essencial da estabilidade da criança. O ambiente emocionalmente equilibrado favorece todas as relações dentro de casa.”
Com organização e escuta ativa, o recesso pode ser uma oportunidade de conexão, sem prejuízo para o desenvolvimento das crianças neurodivergentes e sem sobrecarregar a família.
As férias também podem ser uma ótima oportunidade para os pais agendarem a avaliação Neuropsicológica dos filhos. Os pais costumam estar mais sensíveis aos resultados do primeiro semestre e, ao mesmo tempo, ainda há tempo hábil para implementar intervenções antes do encerramento do ano letivo. Juliana acredita que “Nem toda dificuldade escolar significa falta de esforço. Às vezes, a criança estuda, tenta, se dedicar, mas algo está dificultando seu caminho. Outras vezes, o cenário é diferente: as notas são boas, mas os pais percebem que existe um potencial muito maior que não está sendo aproveitado. E tudo isso pode ser identificado na avaliação clínica”.
A Avaliação Neuropsicológica permite enxergar além das notas. Um profissional ajuda a compreender como a criança aprende, presta atenção, organiza informações, regula emoções e utiliza suas habilidades cognitivas. E as férias podem ser uma oportunidade valiosa para investigar essas questões com tranquilidade e planejamento. A intervenção mais eficaz é aquela que começa cedo. Em alguns casos, o que existe por trás são dificuldades atencionais, funções executivas fragilizadas ou até mesmo altas habilidades não identificadas.
E as férias tende a ser um bom momento para se fazer uma Avaliação Neuropsicológica não apenas porque a agenda fica mais flexível. Mas porque a criança também está mais disponível emocionalmente. Durante o período letivo, ela precisa dividir energia entre: provas, tarefas, reforços, atividades extracurriculares. Já nas férias, o profissional normalmente encontra horários mais confortáveis, consegue agendar sessões na mesma semana, as faltas e remarcações tendem a diminuir, é possível concluir o processo mais rapidamente e consequentemente iniciar as intervenções ainda no segundo semestre.
Juliana reforça que este tempo “ganho”, no desenvolvimento infantil, importa muito. “Uma dificuldade identificada precocemente pode evitar anos de sofrimento acadêmico e emocional”, reforça Juliana. As férias passam rápido. Mas o conhecimento adquirido agora pode impactar todo o restante do ano — e muitas vezes, os próximos anos também.
SERVIÇO:
Avaliação Neuropsicológica nas Férias
Juliana Coutinho, psicóloga e neuropsicóloga – @jucoutinhoneuropsi
Empresarial José Carvalheira, na Tamarineira – (81) 99762-2600




















