Por Alessandra Macedo
O Maio Roxo é o mês dedicado à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), grupo de doenças crônicas que inclui principalmente a Retocolite Ulcerativa e a Doença de Crohn. A campanha busca ampliar o conhecimento da população sobre sintomas, diagnóstico precoce, tratamento e qualidade de vida dos pacientes.
Dor abdominal, diarreia persistente, presença de sangue nas fezes, perda de peso, fadiga e alterações nutricionais são alguns dos sinais que podem impactar significativamente a rotina e a saúde dos pacientes. Apesar do aumento no número de casos nos últimos anos, muitas pessoas ainda enfrentam demora no diagnóstico e dificuldades no acesso ao tratamento adequado.
A nutricionista Alessandra Macedo, especialista em gastroenterologia, membro do conselho científico da DII Brasil e portadora de Retocolite Ulcerativa, destaca a importância do acompanhamento multidisciplinar contínuo para os pacientes.
“É fundamental que o paciente tenha acompanhamento especializado tanto nos períodos de crise quanto na fase de remissão da doença. Muitas vezes, mesmo sem sintomas aparentes, ainda existem processos inflamatórios, deficiências nutricionais e alterações intestinais que precisam ser monitoradas para evitar complicações futuras”, explica.
Segundo Alessandra, a alimentação tem papel importante no manejo das DIIs, mas o tratamento deve ser individualizado, considerando o estado clínico, exames, sintomas e tolerâncias alimentares de cada paciente.
Outro ponto de alerta durante o Maio Roxo é a dificuldade enfrentada por milhares de brasileiros para conseguir acesso a exames essenciais, como a colonoscopia, considerada um dos principais métodos para diagnóstico e acompanhamento das doenças inflamatórias intestinais. Em muitas regiões, a fila de espera é extensa, atrasando o início do tratamento e aumentando o risco de agravamento da doença.
Além disso, pacientes também enfrentam escassez de profissionais especializados no manejo das DIIs, especialmente fora dos grandes centros urbanos. A falta de salas de difusão e estrutura adequada para aplicação de medicações imunobiológicas também representa um desafio importante para quem depende de terapias contínuas.
A campanha Maio Roxo reforça a necessidade de ampliar políticas públicas, acesso ao diagnóstico precoce, investimento em centros especializados e conscientização da população sobre doenças que ainda são cercadas de desinformação e preconceito.
“O paciente com DII precisa ser acolhido, ouvido e acompanhado de forma integral. Informação e acesso ao tratamento fazem toda a diferença na qualidade de vida”, finaliza Alessandra Macedo.






















