O desempenho sexual masculino ainda é cercado de tabus, mas especialistas alertam: dificuldades como disfunção erétil, ejaculação precoce e queda da libido são mais comuns do que se imagina e, em muitos casos, têm origem emocional. Apesar disso, muitos homens ainda demoram a buscar ajuda, o que pode agravar o quadro e impactar diretamente a qualidade de vida e os relacionamentos.
De acordo com o urologista Eugênio Lustosa, fatores psicológicos têm ganhado cada vez mais protagonismo nos consultórios. “Hoje, é muito frequente atender pacientes jovens, sem doenças crônicas, mas que apresentam algum tipo de disfunção sexual. Quando investigamos, percebemos que a ansiedade e o estresse são os principais gatilhos”, explica. A chamada ansiedade de desempenho, por exemplo, é um dos quadros mais recorrentes: o homem passa a se preocupar excessivamente com sua performance, criando um ciclo de tensão que dificulta a ereção ou acelera a ejaculação. “O paciente entra em um estado de alerta constante, deixa de viver o momento e passa a se observar o tempo todo, com medo de falhar. Isso interfere diretamente na resposta do corpo”, detalha.
Além da ansiedade, outros fatores emocionais também impactam negativamente a vida sexual, como depressão, baixa autoestima, conflitos no relacionamento e até experiências sexuais negativas no passado. No caso da disfunção erétil, o problema se caracteriza pela dificuldade persistente de obter ou manter uma ereção suficiente para a relação sexual, enquanto a ejaculação precoce envolve a incapacidade de controlar o momento da ejaculação. Já a perda de libido está relacionada à diminuição do desejo sexual. Essas condições, embora distintas, costumam estar interligadas.
“Um quadro de ansiedade pode levar à ejaculação precoce. Após episódios repetidos, o paciente pode desenvolver insegurança, que evolui para disfunção erétil e, posteriormente, perda de libido. É um efeito cascata”, afirma Eugênio Lustosa. Segundo ele, o estilo de vida atual também contribui para esse cenário, com excesso de trabalho, privação de sono e altos níveis de estresse.
O especialista ressalta que o tratamento deve ser individualizado e, na maioria das vezes, multidisciplinar. “Nem sempre a solução está apenas em medicamentos. Muitas vezes, é fundamental associar a assistência de um urologista ao acompanhamento psicológico ou terapia sexual. Cuidar da saúde mental é essencial para recuperar a saúde sexual”, orienta.
Mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e melhora da qualidade do sono, também são aliadas importantes. O médico reforça a importância de buscar ajuda profissional e quebrar o silêncio em torno do tema. “Ainda existe muito preconceito. Muitos homens demoram a procurar atendimento por vergonha, o que pode agravar o problema. Informação e diálogo são fundamentais para o diagnóstico e tratamento adequados”, conclui.






















