O uso de cigarro eletrônico entre adolescentes brasileiros cresceu aceleradamente e já atinge quase um em cada três jovens. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo IBGE, mostram que a experimentação passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, com maior incidência entre meninas (31,7%) e estudantes da rede pública. O avanço ocorre mesmo com a queda no consumo de cigarro tradicional, álcool e drogas ilícitas, consolidando o vape como novo vetor de risco entre jovens.
O impacto desse comportamento começa a aparecer silenciosamente na saúde bucal, área ainda pouco associada ao problema. O cirurgião-dentista Juliano Borelli alerta que os primeiros sinais são frequentemente ignorados. “O adolescente não percebe que a boca já está respondendo. O ressecamento, a gengivite e o mau hálito persistente são sinais iniciais de um processo inflamatório que pode evoluir rapidamente”, afirma.
Segundo o especialista, o aerossol do cigarro eletrônico altera o equilíbrio da microbiota oral e favorece o surgimento de infecções. A combinação com o consumo de álcool, ainda presente em mais da metade dos adolescentes, potencializa esse cenário. “O vape cria um ambiente propício para bactérias agressivas. Quando associado ao álcool, o efeito inflamatório se intensifica e acelera danos na gengiva e no esmalte dentário”, explica Borelli.
A médio e longo prazo, as consequências tendem a ser mais severas, com risco de periodontite precoce, retração gengival, perda óssea e lesões na mucosa oral. O impacto estético também entra no radar, com dentes amarelados e envelhecimento precoce da região bucal. “O que parece um hábito inofensivo pode comprometer a saúde e a autoestima antes dos 30 anos. A prevenção precisa começar agora, com informação clara para jovens e famílias”, conclui Juliano Borelli.






















