Por Alessandra Macedo
As festas de Natal e Ano Novo costumam unir famílias em torno de mesas fartas, mas
os excessos típicos do período podem trazer desconfortos para quem utiliza canetas
emagrecedoras (GLP-1), convive com intolerância à lactose, refluxo ou Doenças
Inflamatórias Intestinais (DII). De acordo com a nutricionista Alessandra Macedo,
especialista em nutrição aplicada à gastroenterologia, é possível aproveitar as
comemorações sem comprometer o bem-estar, desde que algumas escolhas estratégicas
sejam adotadas.
Os medicamentos injetáveis usados para emagrecimento reduzem a fome e retardam o
esvaziamento gástrico, o que torna refeições volumosas especialmente desconfortáveis.
Por isso, Alessandra destaca a importância de comer devagar, priorizar pequenas
porções e evitar alimentos muito gordurosos. “A saciedade chega rápido, e comer por
obrigação social aumenta o risco de mal-estar”, explica.
Intolerantes à lactose também devem ficar atentos às sobremesas tradicionais,
geralmente ricas em leite e derivados. A enzima lactase pode ajudar, mas precisa ser
tomada no momento da refeição e nas doses adequadas, conforme a quantidade de
lactose ingerida. “A lactase é útil, mas não é um passe livre para exageros. Cada pessoa
tem um limite”, reforça a nutricionista.
O refluxo, por sua vez, costuma se agravar com refeições volumosas, horários tardios e
bebidas gaseificadas, todos hábitos comuns nas ceias. Alessandra recomenda dar
preferência a preparações assadas e mais leves, evitar comer muito tarde e aguardar
antes de deitar. “Não é apenas o tipo de alimento que provoca o refluxo, mas
principalmente o volume ingerido”, afirma.
Quem vive com Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa também precisa de atenção
especial. Mudanças na rotina, álcool e ultraprocessados podem desencadear crises,
especialmente em períodos de maior ansiedade e quebra de hábitos. Para esses
pacientes, o ideal é optar por refeições simples, leves e de fácil digestão, respeitando a
tolerância individual de cada um. “Não existe uma ceia única para DII. O fundamental é
evitar gatilhos pessoais e prevenir inflamações”, destaca.
Em todos os grupos, o álcool merece cuidado redobrado, tanto pelo risco de irritação
gastrointestinal quanto pela interação com tratamentos. A recomendação geral é
moderação, hidratação e evitar bebidas com gás. Em casos mais sensíveis, a abstinência
pode ser necessária.
“A festa pode e deve ser um momento de prazer, mas isso não significa ultrapassar os
limites do corpo. É totalmente possível celebrar com equilíbrio e consciência,
preservando o bem-estar durante e depois das comemorações”, conclui a nutricionista.
Sobre a especialista
Alessandra Macedo é nutricionista especializada em Gastroenterologia, com
atendimento presencial e online no Recife. Atua no acompanhamento clínico de
pacientes com distúrbios gastrointestinais, Doença Inflamatória Intestinal (DII) e outras
condições do trato digestivo. Graduou-se em Nutrição pela UniSãoMiguel e possui pós-
graduação em Nutrição Clínica e Hospitalar (FAFIRE) e em Gastroenterologia Aplicada
à Nutrição Clínica (PRATIENSINO). Integra o Conselho Científico da DII Brasil e, em
2023, foi homenageada pelo seu trabalho dedicado ao cuidado de pessoas com DII na
câmara dos vereadores em Recife.
E-mail: contatonutriam@gmail.com
Instagram: nutrialessandramacedo





















