Neste 18 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, uma data dedicada a alertar a população sobre uma doença que, apesar de relativamente pouco conhecida, pode ser extremamente grave quando diagnosticada tardiamente. O câncer renal corresponde a cerca de 3% dos tumores malignos urológicos e afeta principalmente homens entre 50 e 70 anos. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), sua incidência varia entre sete e dez casos para cada 100 mil habitantes.
O principal desafio da doença é justamente o fato de ela ser silenciosa. Em muitos casos, o tumor não provoca qualquer sintoma e acaba sendo descoberto incidentalmente durante exames de imagem realizados por outros motivos.
De acordo com o urologista e cirurgião Eugênio Lustosa, essa característica reforça a importância do acompanhamento médico regular, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco. Entre os principais estão o tabagismo, a obesidade, a hipertensão arterial, o histórico familiar da doença e algumas condições genéticas.
“Diferentemente de outros tipos de câncer, o tumor renal costuma se desenvolver sem provocar sintomas nas fases iniciais. Por isso, muitas vezes ele é descoberto durante uma ultrassonografia ou tomografia realizada por outro motivo. Quando encontramos a doença precocemente, as chances de tratamento e cura são extremamente elevadas”, explica.
O sinal mais frequente da doença é a presença de sangue na urina. Outros sintomas que podem surgir, geralmente em fases mais avançadas, incluem dor persistente na região lombar, perda de peso sem explicação, fadiga, febre recorrente e o aparecimento de uma massa abdominal. “O sangue na urina nunca deve ser ignorado. Mesmo quando aparece apenas uma vez, é fundamental procurar avaliação médica. Nem sempre significa câncer, mas é um sinal que precisa ser investigado”, alerta Eugênio Lustosa.
Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que o câncer de rim foi responsável por cerca de dez mil mortes no Brasil entre 2019 e 2021. No mesmo período, milhares de pacientes precisaram ser submetidos à nefrectomia, procedimento cirúrgico que consiste na retirada parcial ou total do rim acometido pela doença. No entanto, quando identificado precocemente, o câncer de rim apresenta taxas de cura superiores a 90%.
Tratamento
O tratamento depende do tamanho do tumor, da localização e da fase da doença. Nos casos localizados, a cirurgia continua sendo a principal alternativa terapêutica, podendo envolver a retirada apenas do tumor ou de parte do rim, preservando ao máximo a função do órgão. Em situações mais avançadas, podem ser associados tratamentos como imunoterapia e terapias-alvo.
“Hoje, a medicina dispõe de técnicas cada vez mais modernas e menos invasivas para o tratamento do câncer renal. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de preservar o órgão e garantir qualidade de vida ao paciente”, afirma Eugênio Lustosa.





















