Clientes do Will Bank que mantinham dinheiro em contas de pagamento, muitas usadas para o recebimento de salários, foram surpreendidos pela liquidação da instituição e não têm expectativa de quando voltarão a ter acesso aos recursos. A liberação dos valores dependerá de um processo conduzido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central (BC), sem garantia de prazo para devolução.
Diferentemente de depósitos bancários tradicionais, as contas de pagamento não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura apenas depósitos à vista, de poupança, a prazo (CDB e RDB) e letras de crédito imobiliário e do agronegócio.
De acordo com o BC, os recursos mantidos exclusivamente em contas de pagamento devem permanecer separados do patrimônio da instituição financeira. Na prática, isso significa que esses valores não integram a massa falida e deverão ser restituídos aos clientes, conforme os critérios, prazos e procedimentos definidos pelo liquidante.
Dados da autoridade monetária mostram que, até o fim de setembro, o Will Bank mantinha R$ 49,6 milhões em contas de pagamento pré-pagas, ampliando o impacto financeiro para usuários que dependiam desse dinheiro para despesas do dia a dia.
O FGC estima que o total de recursos a serem desembolsados a investidores elegíveis no conglomerado chegue a R$ 6,3 bilhões. No entanto, clientes que já atingiram o limite de garantia no Banco Master, liquidado em novembro, não terão direito a valores adicionais.
Nome negativado
Apesar de os clientes não terem mais acesso ao dinheiro que mantinham no banco, eles não estão isentos do pagamento das faturas. A liquidação não cancela as dívidas, quem tinha faturas em aberto ou compras parceladas continua obrigado a pagar normalmente, sob risco de ter o nome negativado.
Segundo a Serasa, independentemente da situação do banco, os clientes continuam legalmente obrigados a cumprir seus compromissos financeiros. “Faturas de cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e outras dívidas devem ser pagas normalmente. O não pagamento pode gerar juros, multas e levar à inadimplência, com risco de negativação do CPF”, informou.
O episódio também despertou revolta entre correntistas que tiveram recursos bloqueados e ficaram impossibilitados de usar o dinheiro para honrar compromissos.






















